Colossenses 2:13-14 - Explicação

    "No capítulo 2 de Colossenses, Paulo descreve a maravilha da salvação que Cristo lhes tornou possível. Tendo sido sepultados, juntamente com Ele, no batismo, foram igualmente circuncidados em Cristo (v.11,12). Estavam "mortos" em suas "transgressões" e na "incircuncisão", mas Deus os vivificou, perdoou-lhes os delitos e cancelou "o escrito de dívida, que era contra nós e que constava de ordenanças". Fez isso figurativamente, "encravando-o na cruz" (v. 13,14). Por causa dos triunfos de Cristo sobre os poderes do mal, os colossenses estavam agora livres para desfrutar as bençãos da salvação (v.15).
    A palavra-chave nessa passagem é "escrito de dívida" ou "certificado de dívida" (NASB), traduzida do grego cheirographon, que aparece somente aqui no NT. Sabemos através da literatura não-bíblica que cheirographon era um documento que alguém escrevia de punho próprio se comprometendo a pagar uma dívida - daí a expressão nota de débito ou nota promissória. Portanto, o que Jesus figurativamente cravou na cruz foi a condenação na qual incorreria os seres humanos por meio do pecado.
    É dito ainda que essa dívida ou condenação apresenta ação judicial contra nós. Não só nos era hostil; esta nota de débito se compunha de "ordenanças que eram contra nós" (NASB). Curiosamente, essa frase que descreve a nota promissória inclui uma de somente duas ocorrências paulinas da mesma palavra grega dogma, "opinião" ou "decreto"; a outra aparece em Efésios 2:15. Percebe-se claramente em ambos os textos um sistema de regulamentos. Em Efésios, os regulamentos têm que ver com o ritual que separava judeus de gentios, especialmente a circuncisão. O contexto de Colossenses 2:14 mostra regulamentos que tem que ver com celebrações e alimentos cerimoniais (v.16; ver Sábado). Em ambos os casos, dogma tem que ver com a lei cerimonial judaica. Com a morte de Cristo, o sistema cerimonial que apontava futuramente para o Messias como a culminância de todo o sistema legal chegou ao fim. Não era mais necessário. Não se trata, portanto, da lei moral, incluindo os dez mandamentos, que são uma representação do eterno caráter de Deus. Pode-se concluir seguramente que nesses textos nada se diz nem mesmo se sugere sobre a perda da vigência da lei moral."

Tratado de Teologia ASD pág.531. 

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