Esboço da Escola Sabatina - Lição 4 - Testemunho e Serviço:o fruto do reavivamento




 
O pastor Everaldo Carlos (@everaldocarlos1) é bacharel em Teologia e pós-graduado em Missiologia com ênfase em missão urbana pelo SALT-IAENE. Atualmente é pastor do distrito de Planta São Marcos, na Associação Sul Paranaense.
 

Ampliação

“Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis Minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da Terra” (At 1:8).

Agostinho de Hipona disse: “Aquilo porque vivo, comunico.” Essa célebre frase resume muito bem a lição desta semana. A missão deve permear as atividades da vida do cristão. O testemunho é um reflexo do que Deus tem feito na nossa vida. O cristão é um espetáculo ao Universo. O resultado de amar Jesus é compartilhar essa experiência. Então, por que temos tanto medo de fazê-lo?

Antes da ascensão, Jesus deu uma ordem, a Sua Grande Comissão. De acordo com o dicionário, “comissão" é "atribuição de uma função, de um encargo”. Quando Jesus proferiu essas palavras aos Seus discípulos e, também a nós, Ele estava dando à igreja Sua missão. Ele disse exatamente o que espera que façamos em Sua ausência física. Os discípulos levaram a sério a ordem do Senhor. Saíram pelo mundo, compartilharam o Evangelho de Cristo e milhares de pessoas foram salvas pela graça de Deus. A mensagem era tão poderosa e o testemunho tão eficaz que seus críticos os acusaram: Eles "têm alvoroçado o mundo" (At 17:6). O autor T. Maston afirmou que "os cristãos que viraram o mundo de cabeça para baixo foram homens e mulheres que tinham uma visão no coração e a Bíblia na mão” (1996, p. 27).

A falta do cumprimento dessa comissão é desobediência à ordem de Deus, tão verdadeiramente como o adultério é transgressão do sétimo mandamento! O discípulo de Cristo deve entender que a comissão de evangelizar não é uma opção, mas uma obrigação para com Deus. Assim foi nos dias dos discípulos e deveria acontecer também agora! O que foi dado como A Grande Comissão se tornou, hoje, o que alguns chamam a Grande Omissão, ou falta de ação no cumprimento do dever, inércia. Em vez de levar o Evangelho até os confins da Terra como o Senhor ordenou, muitos não levam o Evangelho nem até o fim da rua. A organização cristã LifeWay (WILKE, 2012), em seu estudo mais recente, aponta que 80% das pessoas que frequentam a igreja uma ou mais vezes por mês acreditam ter a responsabilidade pessoal de compartilhar sua fé. Porém, 61% afirmam não ter conversado com outra pessoa sobre a maneira de ser salvo nos últimos seis meses.

Cerca de 75% dizem estar satisfeitos com sua capacidade de comunicar o Evangelho, enquanto 12% não se sentem confortáveis em compartilhar sua fé. Mesmo a grande maioria, dizendo acreditar que é seu dever partilhar sua fé e ter segurança de saber como se faz, somente 25% dizem ter falado sobre sua fé uma vez ou duas vezes nos últimos seis meses, e 14% fizeram isso três vezes ou mais.

Essas estatísticas são tristes porque revelam a verdadeira situação da igreja moderna. Estamos satisfeitos por ser salvos, mas não estamos motivados para ver outros conhecerem Jesus Cristo como Senhor e Salvador. De algum modo, acreditamos que nossa responsabilidade é apenas ir à igreja três vezes por semana (domingo/quarta/sábado), orar quando possível, ler a Bíblia de vez em quando e levar a vida politicamente um pouco mais correta do que o mundo ao nosso redor. Esquecemos a verdade de que o cristianismo é a fé em ação.

De acordo com Thom Rainer (1990) o evangelismo no livro de Atos é a comunicação das boas-novas de Jesus Cristo através da proclamação verbal e do testemunho de vida, com a intenção de levar alguém ou um grupo de pessoas para a salvação em Cristo. Evangelismo é também voltado à atividade pós-conversão, comumente conhecida como discipulado.

Paulo tinha uma visão clara da urgência da evangelização. Ele escreveu em 1 Coríntios 9:16: "Se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o Evangelho". Nesse verso, não há nenhum sinal nem tom de opção. Há um senso de obrigação e de responsabilidade. Paulo não tinha escolha: ele tinha que pregar o Evangelho! “Pregue sempre o Evangelho. Se necessário, use palavras.” Essa frase é de Francisco de Assis. Se não temos o dom de pregar, a nossa vida pode pregar o mais bonito sermão.

O pecado do qual Cristo nos salvou é o mesmo pecado que condena aqueles que não creem. Há duas respostas importantes à salvação: humildade e motivação. Nossa salvação não é obtida porque sejamos mais santos do que os outros, nem porque tenhamos impressionado a Deus. A salvação vem somente pela graça. Isso deve fazer de nós, cristãos, os mais humildes de todo o povo e os mais motivados a compartilhar a graça de Deus com os outros.

Cada pessoa com quem nos deparamos é candidata ao reino do Céus, sendo também candidata aos horrores da perdição. Tudo que fazemos está ajudando as pessoas a chegar a um desses dois destinos. Diante dessa realidade devemos ter “o devido temor e circunspeção orientando as nossas relações com os outros; toda amizade, todo amor, toda recreação, toda política” (C. S. Lewis) devem ser norteados por essa consciência da nossa responsabilidade na salvação das pessoas.

O poder e a glória das nações não têm importância, mas as pessoas pelas quais Cristo morreu têm valor infinito.

Quando temos Jesus no coração, nutrimos um desejo ardente de ver pessoas salvas. A pregação do Evangelho não é uma opção, o evangelismo não é uma escolha e sim um dever prazeroso. Isso deve permear nossa vida. Ellen G. White afirma: "Quando o amor de Cristo está no coração, como um bom perfume, ele não pode ficar escondido. Sua santa influência é sentida por todos que entram em contato com ele. O Espírito de Cristo no coração é como uma fonte no deserto que, com suas águas, refrigera todos, e desperta naqueles que estão prestes a perecer o desejo de beber da água da vida" (Caminho a Cristo, p. 77)

Muitos estão satisfeitos em deixar o evangelismo para os outros. Não sentem urgência pessoal para levar alguém a Cristo. Eles devem considerar cuidadosamente a seguinte declaração de Ellen G. White: "Não haverá ninguém salvo no Céu com uma coroa sem estrelas. Se entrardes ali, haverá alguma pessoa nas cortes da glória que encontrou entrada ali por vosso intermédio." (Eventos Finais, p. 282).

Que possamos ter um senso de urgência na proclamação do Evangelho. Não podemos ser omissos nessa tão grande obra. Nossa oração em busca dos perdidos deveria ser a mesma de Francisco de Assis (BOFF, 1999):

“Senhor! Faze de mim um instrumento da Tua paz. Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão. Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvidas, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança. Onde houver tristeza, que eu leve a alegria. Onde houver trevas, que eu leve a luz.”

Como podemos esperar que o mundo incrédulo ou até mesmo nossos próprios filhos levem a sério o Evangelho, quando nós mesmos não o levamos a sério? Quando nós, como cristãos, começarmos a clamar a Deus pela salvação dos que nos rodeiam e estivermos dispostos a fazer qualquer sacrifício para alcançá-los com a Palavra de Deus, veremos pessoas arrependidas de seus pecados e aceitando o convite de Jesus Cristo para a salvação.

Negligenciar a grande comissão é prejudicial para a vida espiritual da igreja. Não se pode negligenciar esse importante dever. Seja em casa ou na rua, tenhamos a certeza de que, como cristãos e como congregação nunca negligenciaremos o evangelismo em todas as suas formas. J. B. Phillips disse: “O Evangelho não passa de uma riqueza congelada a menos que seja comunicado”
 

Referências:

MASTON, T.B. A igreja e o mundo. SP: JUERP, 1996
BOFF, Leonardo. A Oração de São Francisco. SP: Sextante, 1999.
LEWIS, C. S. O peso de glória. Tradução de Lenita Ananias do Nascimento. São Paulo: Vida, 2008.
RAINER, S. Thom. Church growth and evangelism in the book of Acts.  Dallas: The Criswell College, 1990. Disponível em http://www.criswell.edu/
WHITE, Ellen Gould; WALDVOGEL, Isolina A. Caminho a Cristo. 11. ed. São Paulo: CPB, 2011.
WHITE, Ellen Gould; CONRADO, Naor G. Eventos finais. São Paulo: CPB, 2011.
WARREN W. Wiersbe, Lloyd M. Perry. The Wycliffe Handbook of Preaching & Preachers. Chicago: Moody Press, 1984.
WILKE, Jon. Churchgoers Believe in Sharing Faith, Most Never Do. LifeWay

Fonte:CPB

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