Esboço da Escola Sabatina - Lição 10 - Reforma: a vontade de crescer e mudar

Esboço da Escola Sabatina - Lição 10 - Reforma: vontade de crescer e mudar


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Autor: Autor: Edinaldo Juarez Silva
é graduado em Teologia aplicada e tem Mestrado em Teologia com ênfase
em missão urbana e crescimento de igreja, ambos pelo SALT-IAENE.

Introdução

David Cox disse: “Mudança de valores e ideais é mais importante que mudança de estruturas”. Certa ocasião quando fui recebido numa igreja como novo pastor, ouvi um líder dizer que meu maior desafio seria liderar e concluir uma ampla reforma daquele grande templo. Eu sabia que ele estava errado porque a maior tarefa de todo líder religioso é promover a reforma espiritual na vida dos membros.
Reforma é todo processo de dar uma nova forma a algo, aplicação de mudanças com o propósito de promover melhoramentos, crescimento, aperfeiçoamento. Algo novo ou pelo menos um conjunto de alterações precisa ser introduzido para que aconteça uma genuína reforma. Assim, como uma realidade dinâmica, a reforma nos conclama para um movimento de mudança de um estado para outro melhor. Não podemos dizer que houve reforma sem que tenha havido melhoramento.

Para que uma reforma espiritual seja completa, deve haver correção de rota, reestruturação de metas, renovação de compromissos, reorganização das prioridades e regeneração da natureza. Isso significa crescimento e mudança sob os princípios da Palavra de Deus; parte do processo é a decisão de se colocar sob a influência do Espírito Santo.
“Quando o Espírito de Deus toma posse do coração, transforma a vida. Os pensamentos pecaminosos são afastados, renunciadas as más ações; o amor, a humildade, a paz tomam o lugar da ira, da inveja e da contenda. A alegria substitui a tristeza, e o semblante reflete a luz do Céu” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 173).

Domingo, 1º de setembro - Graça para crescer


"...Devemos ter por muito preciosa a obra que o Senhor tem feito progredir por meio do Seu povo observador dos mandamentos, e que, pelo poder da Sua graça, se tornará mais forte e mais eficiente à medida que o tempo avança. (...) Sua experiência será de crescimento constante  até que, com poder e grande glória, o Senhor desça do Céu para aplicar aos Seus fiéis o selo da vitória final" (Testemunhos Seletos, v. 3, p. 440.

Muitos personagens bíblicos experimentaram impressionante mudança e crescimento espiritual. Poderíamos citar, entre outros, Moisés, Abraão, Jacó e Davi. Ao andarem com Deus estiveram sob a influência do Espírito Santo e passaram por visível transformação do caráter. Sua experiência evidenciou que a caminhada cristã é um processo de santificação, de constante melhoramento “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estrutura da plenitude de Cristo” (Ef 4:13).
Esse fenômeno se manifestou também na vida dos discípulos, a exemplo de Tiago e João. Seus defeitos de caráter, sua visão estreita, seu egoísmo e egocentrismo se manifestaram em vários momentos da sua caminhada com Cristo. Mas um processo de crescimento e mudança estava acontecendo à medida que o tempo passava.
“Todos os discípulos tinham sérias falhas de caráter quando Jesus os chamou ao Seu serviço. O próprio João, que chegou a ter mais íntimo convívio com o Manso e Humilde, não era de si mesmo dócil e submisso. Ele e seu irmão foram chamados de "filhos do trovão" (Mc 3:17). Durante o tempo em que viveram com Jesus, todo menosprezo a Ele mostrado lhes despertava a indignação e a combatividade. Mau gênio, vingança, espírito de crítica, tudo se encontrava no discípulo amado. Era orgulhoso e ambicioso de ser o primeiro no reino de Deus. Mas dia a dia, em contraste com seu próprio espírito violento, contemplava a ternura e longanimidade de Jesus, e aprendia-Lhe as lições de humildade e paciência” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 295).
A primeira carta de João revela a nova experiência daquele que tinha sido chamado de “filho do trovão” (Mc 3:17) e se tornou um ancião cheio de ternura por aqueles que tratava como “meus filhinhos”. Em toda a sua carta, João demonstrou o tratamento cheio de bondade e amor de um pastor que anela a salvação de seus irmãos em Cristo. João foi transformado. Seus valores, crenças e cosmovisão mudaram mediante a ação do Espírito Santo. A fonte foi mudada e toda a corrente ficou diferente.

Segunda, 2 de setembro - Poder de escolha

O filósofo alemão Immanuel Kant disse que “toda reforma interior e toda mudança para melhor dependem exclusivamente da aplicação do nosso próprio esforço.” Embora questionável e seriamente comprometida pelo dogmatismo característico desse pensador, a frase enfatiza um detalhe que não podemos esquecer: o processo de mudança, crescimento e reforma espiritual contempla a participação humana no nível da escolha.
A escolha é nossa. Isso nos é garantido pela dádiva do livre arbítrio. Sempre seremos capazes de escolher se seremos ou não submissos à influência do Espírito Santo. Ele não nos força, apela; não impõe, convida; não coage, constrange. 
Para que haja a mudança é necessário que façamos a escolha certa. É a voz convincente do Espírito Santo que permite o acesso, que abre as portas, que volve a atenção para a ação.

Sujeitar nossa vontade à vontade de Deus e permitir que Ele nos transforme à Sua semelhança será sempre uma prerrogativa nossa. Deus nos deu esse atributo e não o tomará de volta. Mas, anelante, esperará sempre que façamos a escolha certa. Ele nos diz: “Escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando ao Senhor teu Deus, dando ouvidos à Sua voz, e achegando-te a Ele; pois Ele é a tua vida, e o prolongamento dos teus dias; para que fiques na terra que o Senhor jurou a teus pais, a Abraão, a Isaque, e a Jacó, que lhes havia de dar” (Dt 30:19-20).
A cooperação do homem no processo de mudança e crescimento espiritual não é algo do que ele deva se orgulhar como sendo um meio pelo qual será operada sua redenção. Será sim, mais um motivo para ele glorificar o nome de Deus por ter-lhe permitido exercer as faculdades a ele providas pelo próprio Criador, abrindo as avenidas da alma para que entre a luz do Céu e as trevas sejam dissipadas.
A escolha, cooperação e entrega são tarefas que Ele nos confiou, mas as realizaremos no contexto de uma resposta à primeira ação dEle em nossa vida. Foi nesse sentido que Jesus disse: “Não Me escolhestes vós a Mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em Meu nome pedirdes ao Pai Ele vo-lo conceda” (Jo 15:16).
Harmonia entre a vontade de Deus e a nossa será o desdobramento final da genuína reforma: o alinhamento das vontades, das prioridades e das agendas. O que é nosso se adequará ao que é de Deus. Sua soberania será reconhecida e nossa dependência e submissão serão manifestas. Quando isso acontecer, experimentaremos uma constante diminuição da crise existente entre a vontade de Deus e a nossa, aquela crise descrita por Paulo no capítulo sete da epístola aos Romanos (Rm 7:17-24). A nova experiência será de harmonia porque a vontade de Deus será boa, agradável e perfeita. Então se cumprirá em nossa vida o que está descrito em Romanos 12:2: “Não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”.

Terça, 3 de setembro - Confiança e dúvida

Uma falsa confiança ou a confiança própria é algo realmente ameaçador para um cristão, porque são sentimentos perigosos para aqueles que estão lidando com dilemas que vão muito além das capacidades do homem natural e finito. Pedro é um exemplo a ser examinado.

“Ocultos em seu coração havia elementos de mal que as circunstâncias fariam germinar. A menos que ele fosse levado à consciência de seu perigo, esses elementos se demonstrariam sua eterna ruína. O Salvador viu nele um amor-próprio e segurança que sobrepujariam mesmo o amor de Cristo. Em sua vida se revelara muito de enfermidade, pecado não mortificado, descuido de espírito, gênio não santificado e temeridade para entrar em tentação. A solene advertência de Cristo era um chamado a exame de coração. Pedro necessitava desconfiar de si mesmo, e ter maior fé em Cristo. Houvesse ele recebido com humildade a advertência, teria recorrido ao Pastor do rebanho para que guardasse Sua ovelha” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 673).
 Na era da autoajuda muitos concluem erroneamente que são capazes de realizar sozinhos as mais desafiadoras tarefas, até mesmo enfrentar e vencer os três inimigos mais poderosos que se têm colocado em confronto com os filhos de Deus. São eles:

- Satanás. O mais poderoso inimigo que está sempre diante de nós.
- O mundo. Poderoso inimigo que está sempre ao redor de nós.
- A natureza carnal. Poderoso inimigo que está sempre dentro de nós.

Mesmo o crente mais presunçoso deveria desconfiar de si mesmo diante desses três poderes. Mas muitos, como Pedro, não têm ideia da gravidade do conflito que já os envolve nem da crise que está prestes a desabar sobre a cabeça dos filhos de Deus. “Estamos mesmo no limiar do tempo de angústia, e acham-se diante de nós perplexidades com que dificilmente sonhamos” (Testemunhos Seletos, v. 3 p. 306).
Todos os que desejam obter vitória nesta batalha devem depositar sua confiança nAquele que venceu o mundo, o inimigo e a natureza humana; o único nome pelo qual importa que sejamos salvos: Jesus Cristo.
Assim como Pedro precisava se converter (Lc 22:32), necessitava de uma experiência de reavivamento e reforma para para poder enfrentar as crises e provas que viriam, muitos cristãos também precisam da mesma experiência antes que possam vencer as provas deste tempo.
Pedro "insistia com mais veemência: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo Te negarei. Assim disseram todos" (Mc 14:31). Os demais discípulos também não compreendiam toda a extensão da prova que sobre eles cairia e, confiando em si mesmos, declararam ser capazes de permanecer ao lado de Cristo na hora mais probante, o que, de forma humilhante, se provou um engano, porque a crise revelou o despreparo deles.
Na vida de Tomé e de Pedro um reavivamento seguido de reforma faria a diferença, e o Pentecostes veio para isso. “Tomé não quis acreditar, enquanto não pusesse o dedo na ferida feita pelos soldados romanos. Pedro O havia negado em Sua humilhação e rejeição. Essas penosas lembranças apresentavam-se diante deles em nítidos traços. Tinham estado com Ele, mas não O conheceram nem apreciaram. Como, no entanto, tudo isso lhes comovia agora o coração, ao reconhecerem a própria incredulidade!” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 508).
Depois do Pentecostes, uma nova espécie de confiança se apoderou deles. Não mais confiavam em si mesmos , mas aprenderam a buscar o poder na fonte e foram transformados. Todos, com exceção de Judas, eliminaram a dúvida, aprenderam a viver pela fé e, revestidos de poder do alto, se tornaram grandes homens de Deus.

Quarta, 4 de setembro - A decisão de voltar


Desde que Adão deixou aquele ponto de encontro com Deus no Éden e de lá foi expulso, estamos todos, num grau maior ou menor, em uma rota de fuga. Fomos alienados da presença de Deus, não porque Ele quisesse assim. Já é tarde e precisamos voltar. Cada um tem que tomar sua decisão e implementar outras ações para que o reencontro aconteça. Isso é reavivamento e reforma.

O Espírito Santo está orientando: “Este é o caminho, andai por ele sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda” (Is 30:21). Sob essa luz vinda da Palavra de Deus (Sl 119:105) veremos com clareza o rumo que precisamos tomar de volta à presença do Pai.
Mudança e crescimento estão envolvidos nessa decisão de voltar por um caminho que nunca deveria ter sido tomado, porque cada passo dado nos afastou mais de Deus. Agora, precisamos crer que Ele “guiará os mansos em justiça e aos mansos ensinará o seu caminho” (Sl 25:9).
Este caminho de volta não será fácil “porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” (Mt 7:14). Por isso, teremos que renunciar a alguma coisa que já reputamos como valorosa em nossa vida, mas, como Davi, podemos crer: “Deus é a minha fortaleza e a minha força, e Ele perfeitamente desembaraça o meu caminho” (2Sm 22:33).
A exemplo da experiência do filho pródigo, veremos que o abraço caloroso de perdão e aceitação do Pai celestial fará com que toda renúncia e sacrifício tenham valido a pena. Ainda mais, entenderemos que não perdemos nada; aquilo que deixamos por amor a Cristo, por mais valioso ou importante que pudesse parecer, se assemelha à capa esfarrapada que o cego de Jericó lançou de si para poder correr para os braços de Jesus (Mc 10:50). Nesse sentido podemos compreender que reavivamento acontece quando Deus vem ao nosso encontro e reforma acontece quando nós decidimos viver de acordo com a vontade do Pai.

Quinta, 5 de setembro - Fé para agir

Ainda hoje é importante acreditar. A fé sempre foi a principal reposta de um coração convertido e contrito. Quando a graça de Deus encontra a resposta de fé, um ciclo se completa e esse fenômeno desencadeia uma série de outros. Podemos ver isso claramente nos milagres de Jesus. Mudanças acontecem, é gerado crescimento e vidas são transformadas.

Em Jerusalém, junto ao tanque chamado Betesda, a experiência de Jesus com o paralítico nos deixa uma poderosa lição de fé e ação subsequente (Jo 5).
Agir pela fé e não pela vista é o nosso desafio (2Co 5:7). Na verdade, um desafio duplo: o de exercer fé e o de agir. Isso é verdade porque já fomos advertidos de que “sem fé impossível agradar a Deus” (Hb 11:6) e de que “tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14:23, RC). Mas sabemos que “assim também a fé sem obras é morta” (Tg 2:2). Daí o duplo desafio:primeiro a fé e depois as ações concretas. Estamos falando de atitude de crença ou crença em ação.
Como o homem enfermo junto ao tanque Betesda, somos desafiados a crer na Palavra de Deus e agir em conformidade com essa orientação. O que parece óbvio ao se falar para cristãos pode ser um grande desafio para muitos. Cremos a ponto de agir? Essa pergunta ainda ecoa em nós.
Nosso desafio de fé e ação. Assim como Jesus falou ao homem acerca da cura e ordenou-lhe que se levantasse (Jo 5:6,8), hoje Ele nos desafia a crer e agir: “Que vos ameis uns aos outros, assim como Eu vos amei”(Jo 15:12); “Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe” (Lc 17:3-4); “Vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no Céu; e vem, e segue-Me” (Mt 19:21). Cada desafio desses é um chamado à prática da fé, à crença em ação.
Se, pela fé, agirmos de acordo com a palavra de Cristo, seremos curados do egoísmo, do rancor, do ódio e de todas as mazelas que oprimem a raça humana. Seremos libertos dessa condição deplorável como era o caso do homem junto ao tanque.
Aquele que se apegar à palavra de Cristo e agir pela fé, cumprindo Sua vontade, verá o poder de Deus se manifestando em sua vida. Foi assim com o cego de Jericó. Ele agiu pela fé. “Jesus lhe disse: vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho” (Mc 10:52).
Será que nós, pobres doentes, acreditamos na palavra de Cristo quando Ele diz: “buscai primeiro o reino de Deus, e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6:33)?
Estamos buscando o reino de Deus, Seus interesses e prioridades, Sua comunhão e instrução como o bem mais precioso? É essa a prioridade em nossa agenda diária?

Conclusão

“Sob a guia do Espírito Santo, a mente que sem reserva se dedica a Deus, desenvolve-se harmoniosamente, e é fortalecida para compreender e cumprir as reivindicações de Deus. O caráter fraco, vacilante, transforma-se em outro, forte e inabalável. A dedicação contínua estabelece tão íntimo relacionamento entre Jesus e Seus discípulos, que o cristão assimila o caráter de seu Senhor. Tem visão mais clara, mais ampla. Seu discernimento é mais agudo, seu julgamento mais equilibrado. Tão avivado é ele pelo poder vitalizante do Sol da Justiça, que é habilitado a produzir muito fruto para glória de Deus” (Obreiros Evangélicos, p. 285,286).


Fonte: CPB

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