Esboço da Escola Sabatina - Lição 6 - Confissão e arrependimento: as condições do reavivamento

Esboço da Escola Sabatina - Lição 6 - Confissão e arrependimento: as condições do reavivamento


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Autor: Douglas Reis é formado em Teologia (Unasp campus II, 2002), capelão universitário do IAP, autor de três livros: Paixão Cega (2010), Marcados pelo futuro (2011) e Explosão Y: adventismo, pós-modernidade e gerações emergentes. (2013).


Ampliação



Introdução

Ao longo da História, Deus despertou Seu povo. E toda vez que os apelos do Céu foram atendidos, houve reavivamento. Foi assim com os judeus na época de Neemias, com os apóstolos logo após a ascensão de Jesus, com os valdenses e no início do movimento metodista. Há muitos outros exemplos de como Deus derramou Seu Espírito sobre aqueles que O buscaram.

Diante dessa realidade, repetimos as palavras do profeta Habacuque: “Senhor, ouvi falar da Tua fama; temo diante dos Teus atos, Senhor. Realiza de novo, em nossa época, as mesmas obras, faze-as conhecidas em nosso tempo; em Tua ira, lembra-Te da misericórdia” (Hc 3:2, NVI).

Conforme veremos, existem condições a ser cumpridas até experimentarmos o reavivamento. Porém, Deus não nos deixou à mercê da imaginação – Ele mostrou o que temos de fazer na prática para usufruirmos Sua presença. É bom frisarmos: não existem “dez passos para o reavivamento” ou o plano “reavive sua esposa até sexta-feira”. O Senhor não deixou um programa formatado. Suas orientações são claras, seguras e confiáveis. Mas precisamos entender que reavivamento não é questão de fazer algumas coisas, mas de total submissão a Jesus, deixando que Seu Espírito nos insufle nova vida.


Domingo, 4 de agosto - Arrependimento: um dom de Deus


Na primeira escola em que trabalhei, em São Paulo, tive a oportunidade de conhecer muitas crianças e adolescentes. Entretanto, uma menina da quinta série (hoje sexto ano) chamou minha atenção. Ela e outro menino da turma se odiavam, o que acontece comumente nessa faixa etária. Certo dia, resolvi conversar com ela. Como uma miniatura de carranca, a menina nem queria ouvir sobre a possibilidade de perdoar seu desafeto. “Se você continuar pensando assim, como poderá ir para o Céu?”, eu lhe perguntei. Sua resposta foi surpreendente: “Se eu tiver de perdoá-lo para ir ao Céu, prefiro não ir!”

Há pessoas duras de coração. Passam a vida sem repensar no que fizeram. Não lhes preocupa o ressentimento nutrido como um cão adestrado. Existem também os que não sentem a necessidade de se decidir por Jesus – como se esse tipo de decisão dependesse de nossos sentimentos ou bom humor!

Você já se perguntou por que gente como os fariseus permanecia resistindo, quando o poder de Deus era manifesto de forma tão evidente? Uma coisa é rejeitar o estudo bíblico de um colega de trabalho – outra bem diferente é negar a divindade de Jesus na presença dEle! Sim, os fariseus viram Jesus, mas não apenas puderam vê-Lo: espreitavam as cenas de milagres extraordinários e conversaram com pessoas que Ele havia curado. Estremeceram ao ouvir Suas palavras proféticas. Mas isso não lhes demoveu da atitude cética que conservaram até o fim.

Sabe por que alguns não aceitam Jesus? Pelo fato de o arrependimento ser um dom. É preciso permitir que a influência do Espírito Santo nos conceda o arrependimento. Enquanto lutarem contra Deus e recusarem Seu dom, não poderão sequer sentir vontade de mudar. Veja o exemplo de Atos 5.

De início, temos o relato de Ananias e Safira, exemplo negativo de pessoas que tentaram mentir ao Espírito Santo (At 5:1-11). Tanto a punição que o casal recebeu (v. 11), como os milagres seguintes, apresentados no capítulo (v. 12, 15, 16), atraíram a atenção das pessoas para a igreja nascente (v. 11, 14, 16). Logo, era de se esperar a oposição por parte dos líderes religiosos (v. 17, 18). Resultado: discípulos presos pela cúpula da nação.

Nesse ponto, outro milagre surpreendente aconteceu: o anjo do Senhor abriu as portas das celas e os apóstolos voltaram a pregar – para espanto geral (v. 19-24)! Convocados à presença dos líderes da nação, os seguidores de Jesus foram acusados de subversivos. Não estavam eles levando a população a ficar contra as autoridades? E tudo por causa do julgamento de Jesus (v. 25-28).
Apesar da pressão, Pedro e seus colegas foram firmes. Sua obediência estava condicionada a Deus, não às circunstâncias (v. 29). Em vez de discutir o grau de culpa dos religiosos, exaltaram Jesus como Aquele que ressuscitou (v. 30). O resultado disso seria a concessão de arrependimento a todos que desejassem (v. 31).

Em resumo, o papel do Espírito Santo em Atos 5 é bem destacado: Ele é Deus (v. 3, 4), bem como testemunha, junto dos apóstolos, dos fatos sobre o ministério de Jesus; Sua manifestação atinge os obedientes (v. 32). Ali estavam os apóstolos, expondo verdades que faziam parte da vida deles. Graças à intervenção de Gamaliel (v. 34-39), eles foram tolerados e assim puderam continuar sua obra.


Segunda, 5 de agosto - Definição do verdadeiro arrependimento

Um membro de nossa igreja, casado, foi visto por diversas pessoas em companhia de uma jovem. Embora houvesse comentários, ele afirmava não passar de amizade. O pastor esperou até que houvesse algo concreto. Um dia, chegou às suas mãos um boletim de ocorrência lavrado pelo irmão em questão, contra o ex-marido da sua “amiga”. No documento, ele se apresentava como atual namorado da moça!

Na época, eu era ancião, e acompanhei o pastor na conversa com o rapaz. A todo instante, ele negava qualquer envolvimento com a mulher. Quando finalmente foi confrontado com o que havia declarado no boletim de ocorrência, ele se viu obrigado a admitir que estava tendo um caso extraconjugal.

A situação me fez lembrar o episódio envolvendo Acã. Assim como o rapaz infiel à esposa, Acã somente admitiu seu pecado quando se tornou impossível negá-lo (Js 7:20, 21). Em nenhum dos dois casos temos confissão espontânea ou demonstração de arrependimento sincero (para ser justo, admito ser possível ao rapaz do primeiro relato ter se arrependido posteriormente). Em geral, as pessoas admitem seus erros quando veem que não é possível ocultá-los mais. Entretanto, isso está a quilômetros do sincero arrependimento!

Comentando sobre os efeitos de sua primeira carta aos coríntios, Paulo pondera: “A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte” (2Co 7:10, NVI).

Todo pecado tem perdão, a não ser o pecado contra o Espírito Santo (Mt 12:31, NVI). Não que esse seja um pecado específico – em verdade, trata-se da rejeição sistemática da verdade conhecida e dos apelos do Espírito Santo (Hb 6:4-6). Para evitar esse extremo, torna-se necessário buscar a Deus, a fim de receber o verdadeiro arrependimento, que implica o desejo de abandonar os erros. Como Paulo ressaltou, o verdadeiro arrependimento traz tristeza, porque nos leva a pensar em como nossas faltas ofendem ao Pai celestial.


Terça, 6 de agosto - Verdadeiro arrependimento e confissão

Além de se caracterizar pela tristeza em relação ao pecado, o arrependimento genuíno é aquele que leva à confissão de pecados. Essa confissão não é generalizada, como às vezes dizemos: “Perdoe-me por qualquer coisa”. Não foi “qualquer coisa” que fizemos. Temos de nos reportar a Deus conscientes de nosso estado de culpa (Rm 3:10-12).

É igualmente necessário confessar os pecados especificamente. A experiência negativa de Davi mostra o quanto se pode sofrer com o pecado não confessado (Sl 32:3-4).

Por toda a Bíblia, a confissão e o abandono do pecado são exaltados como consequências saudáveis do arrependimento que Deus exige (Lv 5:5; 1Jo 1:9; Is 1:16-18; At 26:19, 20). Afinal somente pode haver cura para nós quando assumimos a necessidade dela. Enquanto negarmos pecados específicos ou mascararmos nossa condição como pecadores, jamais provaremos das abundantes provisões divinas para nos salvar.


Quarta, 7 de agosto - Arrependimento verdadeiro e falso contrastados

O que você lembra quando vê esses indivíduos? Vamos pensar em cada caso.


Um dos motivos para o derramamento das dez pragas do Egito foi a dureza do coração de Faraó (Êx 12:29-32). Entenda: os semitas atribuíam a Deus coisas que Ele permitia que ocorressem. Logo, Deus endureceu o coração de Faraó apenas no sentido de deixar que ele rejeitasse as oportunidades. O contrário disso seria restringir a liberdade do mandatário egípcio.

Com Balaão aconteceu algo diferente (Nm 22:32-35). Deus o constrangeu a falar somente o que Ele lhe dissesse. Eis um caso legítimo de inspiração verbal, o que é claramente a exceção e não a regra no trato de Deus com Seus profetas! Mas isso não significava salvação contra a vontade: uma coisa era transmitir a mensagem de Deus fielmente, outra era confiar no Autor da mensagem.

Esaú (Hb 12:17) foi considerado profano ou desapegado das coisas espirituais porque as colocou em segundo plano. Na hora da necessidade, o estômago falou mais alto e ele facilmente abriu mão de seus direitos espirituais.

Talvez o caso mais dramático seja o de Judas (Mt 27:4): como ele pôde passar tanto tempo com Jesus e traí-Lo de forma tão leviana? Seu remorso indica apenas o medo das consequências de suas decisões, não um desejo autêntico de mudança.

Em todos esses casos, verifica-se a incredulidade, de uma forma ou de outra, impedindo que a pessoa reconheça quem é Deus e Seus direitos legítimos sobre nossa vida. Enquanto o arrependimento requerido pela Bíblia pressupõe entrega, humilhação e desejo de mudança, o falso arrependimento indica tristeza, medo ou certo constrangimento. Mas os hábitos continuam os mesmos e, caso a pessoa tivesse oportunidade, faria tudo exatamente como fez.


Quinta, 8 de agosto - Poder de cura da confissão

Anteriormente, nos referimos ao Salmo 32. Para seu estudo, precisamos nos lembrar de que ele está associado ao adultério de Davi com Bate-Seba e o consequente assassinato de Urias, marido dela, a mando de Davi.

Uma das circunstâncias mais controversas é a culpa de Bate-Seba nesse episódio, uma vez que Davi a viu tomando banho (2Sm 11:2). Ela agiu de forma imprudente ou provocou deliberadamente o rei?

O erudito adventista Richard Davidson enumera 18 razões para entendermos que Davi é responsabilizado pelas circunstâncias desse caso. Entre os motivos, ele argumenta que o terraço do palácio real garantia uma vista panorâmica das “moradias no Vale do Cedron imediatamente abaixo”. Para ele, isso é enfatizado pelo texto quando é dito que Urias, marido de Bate-Seba, em visita ao palácio, teria que “descer” para ir a sua casa (v. 8-13).

Além disso, as residências da época consistiam de quatro quartos em torno de um pátio central aberto, onde as pessoas tomavam banho. Provavelmente, do terraço de Davi se pudesse ver quem estivesse se banhando nos pátios descobertos. Por isso, transitar pelo terraço se tornou “o primeiro passo deliberado [dado por Davi] em sua queda moral.” 
Logo, não seria “irrazoável assumir que o código de decência geralmente aceito nos dias de Davi incluía o entendimento de que era inapropriado olhar” a partir do terraço para as casas abaixo. Essa exposição destrói a pressuposição de que Bate-Seba se tivesse oferecido a Davi. O único culpado no relato é o próprio rei, não a mulher de quem ele se aproveitou (Richard M. Davidson, “Did King David Rape Bathsheba? A case study in narrative theology”, in: JATS, v. 17, no 2, p. 3-5).

Como único culpado no escândalo (e duplamente culpado), Davi reconheceu a monstruosidade de seu ato. Nos dois primeiros versos do Salmo 32, ele emprega as quatro palavras hebraicas mais frequentes para representar o pecado. Porém, Davi também se mostrou consciente da suficiência da graça para remover a mancha moral. Na história de Davi, o senso de culpa teve o papel capital de fazê-lo reconhecer sua necessidade de arrependimento (Sl 32:3-5). O salmo termina com a certeza da restauração divina (v. 6-8) e tratando do contraste dos ímpios com os justificados (v. 9-11). Quão bom é servir a um Deus perdoador! 


Conclusão

O arrependimento que Deus pede envolve sincero reconhecimento de cada falta específica, que deve ser confessada diretamente a Deus. Esse arrependimento é um dom. Para recebê-lo, precisamos permitir que o Espírito Santo atue decisivamente sobre nós.


Fonte:CPB

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