Esboço da Escola Sabatina - Lição 1 - O santuário celestial

Resumo da Escola Sabatina - Lição 1 - O santuário celestial

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Pr. João Antonio Rodrigues, doutor em Teologia.

Ampliação do tema

Ao lidarmos com o tema do santuário celestial, precisamos ter precaução quanto a dois extremos. O primeiro é o de interpretar os dados bíblicos de maneira a espiritualizar tudo que é dito acerca do santuário celestial, o que resultaria em uma diminuição da riqueza de significado aí contido. O segundo é o da interpretação estritamente literal, que atribui ao santuário celestial tudo que era encontrado no terrestre. Isso também afetaria a mensagem bíblica acerca do santuário e do trabalho ali conduzido em favor da humanidade. Sendo assim, é necessário ter uma compreensão equilibrada sobre este assunto, partindo dos dados bíblicos disponíveis. E o que temos? Temos o suficiente para entender que há um santuário real no Céu, o verdadeiro, que o Senhor mesmo edificou. Como Ele o fez? Que materiais Ele utilizou? A Bíblia não oferece explicações detalhadas a essas perguntas. Mas o assunto do santuário envolve muito mais do que especulações acerca de materiais. A doutrina do santuário é sobre Cristo, onde Ele está agora, Seu rico e multifacetado ministério, Sua presença com os cristãos, Seu poder para salvar e a restauração final do companheirismo perdido entre a humanidade e Seu Criador.

DOMINGO
A morada de Deus

Se Deus é onipresente, como entender o fato de que Ele tem um lugar chamado de “Sua morada”? Na verdade, o tema da onipresença divina desafia nosso pensamento. Dizer que Deus é onipresente significa que Ele está acima das limitações do espaço. Por exemplo, um corpo pode estar em somente um lugar em determinado momento. Mas como não se podem aplicar a Deus tais limitações, aceitamos, ainda que nossa limitada razão humana não explique, que Deus está em todos os lugares.

Mas, se Deus está em todos os lugares, como afirmar que Ele está em Seu templo? Porque assim está escrito: “O Senhor está no Seu santo templo; nos Céus tem o Senhor Seu trono” (Sl 11:4; cf. 1Rs 8:30, 43, 49). Observe ainda a declaração seguinte: “A morada do Rei dos reis, em que milhares de milhares O servem, e milhões de milhões estão em pé diante dEle (Dn 7:10), sim, aquele templo repleto de glória do trono eterno, onde serafins, Seus resplandecentes guardas, velam a face em adoração – não poderia encontrar na estrutura mais magnificente já construída por mãos humanas senão pálido reflexo de Sua imensidade e glória” (Ellen G. White, O Grande Conflito, p. 414).

Então, como harmonizar a presença de Deus em todos os lugares e Sua presença no templo celestial, ou no próprio Céu? Como afirma o autor da lição, “Deus obviamente habita no Céu de uma maneira especial, em Sua gloriosa presença e pura santidade. A maior manifestação da presença de Deus existe no Céu.” Esta é Sua “presença especial”, distinta de Sua “presença geral” resultante de Sua onipresença.

Entretanto, em consequência da pecaminosidade do homem, juntamente com a própria natureza de Deus, e das deficiências de nossos processos mentais, não é possível entender a realidade de Deus. Aceitamos o que está revelado e, mesmo Sua autorrevelação mostra nossas limitações. Portanto, não é prudente especular sobre a realidade de Deus, além daquilo que está revelado. E o que está revelado? O Céu e o santuário são lugares reais (Jo 14:1-3; Hb 8:2), onde Deus Se encontra com Suas criaturas. E, apesar de pecadores, somos convidados a nos achegar com confiança, ousadia, junto ao trono da graça. Esse é nosso privilégio, mediante Jesus, que abriu para nós o caminho até o trono do Pai. Esta verdade não pode ser perdida de vista. Se a perdermos, o prejuízo será eterno.

SEGUNDA-FEIRA 
A sala do trono
Vários textos descrevem Deus assentado sobre o trono celestial. Além dos já citados na lição, veja a descrição feita pelos profetas Micaías (1Rs 22:19), Isaías (Is 6), Ezequiel (Ez 1) e Daniel (Dn 7:9). No Antigo Testamento, o termo trono transmite a ideia de realeza, domínio e autoridade (2Sm 3:10; 7:13; 2Rs 11:19; Jr 49:38; Zc 6:13). O trono de Deus está fundado sobre a justiça, a misericórdia e a fidelidade (Sl 9:4; 89:14; 97:2), e a autoridade de Seu trono sagrado se estende sobre todas as nações (Sl 47:8). O trono de Deus está rodeado pelos quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos que Lhe rendem louvor e adoração continuamente (Ap 4:2-11). O tema do trono é uma ênfase principal do Apocalipse, com uma riqueza de significado espiritual que não pode ser esquecida. O trono de Deus é contrastado com o trono de Satanás (Ap 12:5 em contraste com 13:2; 2:13; 16:10) e, na mente dos leitores originais do livro, com o trono de César. Visto que o trono era visto como um símbolo da soberana majestade do rei, adquiriu o significado de governo e juízo. Dessa forma, a mensagem era que os cristãos, embora momentaneamente sob o domínio de César, na verdade eram súditos do verdadeiro Rei, com Seu trono estabelecido no Céu. Assim se destaca a superioridade de Deus sobre todos os governantes do mundo. Além disso, de Seu trono Deus julgaria o mundo, incluindo César, e vindicaria Seus santos, que eram perseguidos por esse mesmo César. A ideia é rica também para os santos do tempo do fim, visto que terão que enfrentar a ira do dragão (Ap 12), mas Deus, em Seu trono, garantirá sua vitória.

TERÇA-FFEIRA
Adoração no Céu

Os capítulos 4 e 5 de Apocalipse constituem uma unidade e descrevem a mesma cena. Adicionalmente, descrevem uma cena do santuário celestial: ali está o trono de Deus (4:2); somos apresentados ao Cordeiro que foi morto (5:6); somos informados das sete lâmpadas (4:5); e das taças com incenso (5:8). As imagens dessa cena enfatizam a morte expiatória de Cristo na cruz (Ap 5: 6, 9, 12). Como consequência da vitória de Cristo, os redimidos se unem ao louvor celestial no capítulo 7 (v. 9, 10). Entretanto, o aspecto central dessa cena é a entronização de Cristo no santuário celestial, à destra do Pai, após Sua ascensão. Embora alguns entendam essa passagem como uma referência ao juízo, a análise exegética aponta para a cerimônia de entronização. Essa conclusão é confirmada pela referência a alguns termos-chave (como “trono”, “à destra”, “o Leão da tribo de Judá”, “a raiz de Davi”, e “digno”; Ap 5), usados no Apocalipse, que enfatizam a promessa do Antigo Testamento com respeito ao verdadeiro rei, confirmando seu cumprimento: Jesus Cristo foi exaltado e Se assentou sobre o trono do Universo, no santuário celestial.

Na perspectiva dos leitores originais do livro do Apocalipse, no fim do primeiro século d. C., essa era uma mensagem de profundo significado existencial e espiritual. Devemos nos lembrar de que o contexto político-religioso da época era extremamente hostil aos cristãos. Assim, saber que seu Salvador era também o verdadeiro Senhor, e Senhor de todo o Universo, lhes dava a segurança para continuar fiéis, mesmo em face da perseguição movida pelo senhor imperial romano. Mesmo que a morte lhes sobreviesse, em virtude da expiação de Cristo e Sua subsequente entronização, eles tinham a esperança fundada na promessa, e também nos eventos históricos da morte e ressurreição de Jesus, de que um dia poderiam estar “diante do trono”, “no Seu santuário” (Ap 7:15), adorando seu Senhor por toda a eternidade. De igual modo, os cristãos do tempo do fim também podem encontrar segurança e certeza da vitória, sabedores de que Jesus é o Senhor do Universo, assentado em Seu trono, sustentando Seus servos enquanto eles resistem à trindade do mal (o dragão [Ap 12], a besta do mar e a besta da terra [Ap 13]).

Para reflexão: Jesus é o Cordeiro que foi morto. Por sua fidelidade ao Cordeiro, milhões de cristãos também foram sacrificados no decorrer dos séculos. O que você estaria disposto (a) a sacrificar por amor a Cristo? Ou existiria em sua vida algo mais valioso que a salvação? Um projeto mais valioso que a eternidade?

QUARTA-FEIRA
A sala de justiça

Frequentemente se ouvem pessoas clamando por justiça. Em geral, isso ocorre quando alguém passa por uma situação que o deixa emocionalmente abalado e impotente para, por si mesmo, resolver a situação. Nesse caso, justiça significa punir os responsáveis, seja por um assassinato, um acidente com vítimas, corrupção, etc. As atenções se voltam para os tribunais, os juízes e todos os demais envolvidos. Mas nem sempre a justiça é feita. Porém a revelação abre um pouco as cortinas e revela os bastidores da “sala de justiça” do Universo. Ali tudo é manifesto. Porque o Senhor conhece o coração do homem, Ele avalia os motivos por trás de toda ação. Ninguém escapará ao juízo divino.

Em geral, ao se falar do juízo divino, as pessoas se sentem incomodadas e tentam se excluir. “Não há julgamento para os cristãos”, afirmam alguns. Mas o salmista declara com absoluta certeza que “o Senhor põe à prova ao justo e ao ímpio” (11:5). E nenhum cristão verdadeiro deve se preocupar com o assunto do juízo divino. Observe que o salmista clama a Deus para ser julgado (Sl 7:8). Essa deveria ser nossa atitude hoje. Mas para isso precisamos ter uma consciência pura diante de Deus e entender como funcionava a justiça nos tempos do Antigo Testamento. A justiça de Deus pode ser positiva ou negativa. Para o justo, a vindicação; para o ímpio, a punição. “Quando Deus julga, significa antes de tudo que Ele justifica, livra, salva, vindica e protege.” Por outro lado, “quando os pecadores se recusam a ser justificados, salvos, libertos, e vindicados por Deus, então são deixados à sua própria sorte e condenados à morte, porque o juízo divino é também condenação, punição e destruição” (Jirí Moskala, “Toward a Biblical Theology of God’s Judgment: A Celebration of the Cross in Seven Phases of Divine Universal Judgment [An Overview of a Theocentric-Christocentric Approach]”, Journal of the Adventist Theological Society, 15/1 [Spring 2004], p. 138-165).

Para reflexão: Qual é a sua reação ao ouvir que Deus julga tanto os ímpios como os justos? Sente-se seguro, como o salmista? Se não, o que está faltando em sua experiência espiritual para lhe dar a segurança de que necessita?

QUINTA-FEIRA
Lugar de salvação

Na carta aos Hebreus encontramos esparsas algumas informações acerca de Cristo como nosso Sumo Sacerdote, que desperta no cristão uma inabalável confiança, seja no tocante à sua própria salvação, ou no que diz respeito ao socorro necessário durante sua jornada espiritual. Ele “é poderoso para socorrer os que são tentados” (2:18); é o nosso “grande Sumo Sacerdote que penetrou os Céus” (4:14); “pode salvar totalmente os que por Ele se chegam a Deus” (7:25); etc. Com tais afirmações, o autor deixa absolutamente claro que o santuário celestial é um lugar de salvação para todos os que confiam em seu Sumo Sacerdote celestial, pois é ali que Ele intercede pelos cristãos. Nosso grande Sumo Sacerdote Se “compadece” de nós (4:15; 10:34 – Gr. sympatheo – “compadecer”, “simpatizar”, significando também “sofrer juntamente com”). Com isso, o autor enfatiza que Jesus não está distante de nossas necessidades. Ele tem “simpatia”, “compaixão”pelas nossas fraquezas (Gr. astheneia), uma palavra que inclui toda forma de necessidade. E por que nosso grande Sumo Sacerdote simpatiza conosco em nossas fraquezas? Porque Ele também foi tentado em todas as coisas, à nossa semelhança (ver 2:18). Ele conhece, por experiência própria, a força e o poder da tentação. Por isso Ele simpatiza conosco. Foi tentado em todas as coisas. Sua experiência Se equipara à nossa e isso é tremendamente encorajador (Cf. Donald Guthrie, Hebreus: Introdução e Comentário [São Paulo: Vida, 1999), 113-117).

Na primeira cena do santuário de Apocalipse (1:12-20) vemos um “semelhante a Filho de homem” (v. 13) andando no meio dos sete candeeiros. A imagem do candeeiro remete ao candelabro que havia no santuário. Mas aqui representa a igreja. E o Filho do homem se vincula a Daniel 7, onde Cristo é o vencedor contra o chifre pequeno, recebe o domínio e o partilha com Seus santos. Na visão do Apocalipse, Cristo está cingido com “vestes talares” (Gr. poderes), uma palavra que descreve a roupa do sumo sacerdote. A descrição, portanto, é a de Cristo glorificado em Seu ofício sumo-sacerdotal. Além disso, a mesma palavra é usada para descrever a roupa de Jônatas (1Sm 18:4) e de Saul (1Sm 24:5, 11). E, completando o quadro, a cinta de ouro no peito ressalta ainda mais Sua realeza. Temos, portanto, um tremendo significado nessa primeira visão do santuário no Apocalipse: um Sumo Sacerdote, que também é Rei, andando no meio de Sua igreja. Tanto para os cristãos do primeiro século d. C., como para nós, as implicações são poderosas. Não estamos sós. Cristo está conosco e Ele nos conduzirá à vitória.

Fonte:CPB

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