Esboço da Escola Sabatina - Lição 12 - Reforma: curando relacionamentos quebrados

Esboço da Escola Sabatina - Lição 12 - Reforma: curando relacionamentos quebrados


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Autor: Evandro Fávero, mestre em Teologia,
secretário e departamental de Missão Global na União Sul Brasileira.

Introdução

Todos os aspectos relacionados à conversão de uma pessoa são executados pelo Senhor. No entanto, vivemos numa comunidade, na qual muitas vezes os relacionamentos são quebrados, levando muitos a viver uma vida ressentida e de amargura. O reavivamento que Deus deseja propocionar à Sua igreja também visa a apaziguar corações e estabelecer uma convivência saudável entre irmãos.

I- Da hostilidade à amizade em Cristo

Em nossa vida surgem desavenças, discussões e até mesmo situações que parecem não ter solução. Os exemplos bíblicos nos ensinam a maneira de lidar com essas situações. Um deles foi a divergência de Arão e Miriam para com Moisés. Eles ficaram com ciúmes de Moisés e esperavam tirar proveito disso. Moisés em sua serenidade buscou a presença de Deus para que Ele o ajudasse a resolver a situação que estava ameaçando a união da nação.
Outro episódio foi o pedido da mãe de Tiago e João, que pediu em favor de seus filhos um lugar à direita e à esquerda de Jesus. A questão era quem seria o primeiro. Jesus tinha muita popularidade e os discípulos esperavam que Ele assumisse o trono de Israel. O pedido inusitado trouxe problemas ao Mestre. No entanto, Jesus aproveitou a ocasião para apresentar o verdadeiro propósito de Sua vinda, buscando assim apaziguar o coração de Seus discípulos e eliminar a discórdia. A igreja primitiva também sofreu seus percalços por causa de atitudes de homens. O exemplo mais claro que temos é o de Paulo e Barnabé no caso de Marcos. O interessante é que Paulo é considerado o apóstolo do perdão e toda a situação que trouxe cisão entre ele e Barnabé foi ocasionada por ele mesmo, por não querer perdoar a fraqueza passada de Marcos em abandoná-lo no momento em que ele julgava não poder ficar sem o auxílio de Marcos.
O ministério da reconciliação trata de como Deus espera que nós, pecadores, nos reconciliemos com Ele (Rm 5:10; Ef 4:17-24). Mas ao nos reconciliar consigo mesmo, Deus também faz um chamado especial aos Seus filhos; um chamado para a reconciliação com nossos irmãos (1Co 1:17). As palavras de 1 Coríntios 1:10 deixam claro que havia muitas dissensões de diferentes níveis entre os cristãos coríntios. “Paulo desejava que os crentes de Corinto estivessem acordes em suas palavras, mas também era mistér que hovesse entre eles harmonia e concórdia de espírito, que é a fonte originária de onde as palavras harmoniosas vêm [...]. Cada grupo, em que aquela comunidade cristã se dividira, defendia seus próprios líderes escolhidos, os heróis de cada facção, e com profusão de palavras. Mas isso simplesmente demonstrava o espírito contencioso que eles permitiram que surgisse entre eles” (R. N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, v. 4, p. 13).
 O desejo de Paulo era ver uma igreja unida. Seu ministério buscava a reconcialiação entre os crentes e, na medida do possível, sanar desavenças que destruíam a unidade da irmandade. A unidade de todos os crentes é o objetivo do ministério de Cristo. Ele veio para reconciliar o mundo com Deus e uns com os outros. Quando estamos ligados a Cristo reconhecemos nossas falhas e buscamos viver em paz com todos. A Bíblia mostra claramente a reconciliação em todos os exemplos citados aqui, revelando que os que têm o Espírito Santo e experimentam o reavivamento genuíno, vivem em harmonia com os demais, assim como Cristo ensinou.

Perguntas para discussão:

1. Como nossas relações interpessoais afetam nossa espiritualidade?


2. Você já enfrentou situações de ruptura em sua igreja? O que você aprendeu com elas?


3. De que forma, como servos do Senhor, podemos buscar solução para tais circunstâncias?


II- A essência de João 13: 35

“Esta sessão começa e termina com o amor: o amor de Jesus pelos Seus (Jo 13:1) e o amor dos discípulos uns pelos outros. O amor é a prova irrefutável de que pertencemos a Cristo” (Comentário Bíblico Expositivo Warren W. Wiersbe, Novo Testamento, v. 5, p. 449).
Os crentes em Cristo têm uma marca, um selo, que os distigue de todos os demais: o amor. Isso porque Cristo, quando veio ao mundo, demonstrou a marca de Seu reino eterno: o amor. Durante três anos, Cristo ensinou aos Seus discípulos a essência de Seu caráter e apontou o caminho que leva ao amor. Quando vivessem o amor, Seus discípulos estariam não apenas exercitando afeto uns para com os outros, mas imitando a Cristo que viveu unicamente para amar.

Quando amassem verdadeiramente, estariam em tão íntima ligação com seu Senhor que teriam o privilégio de desfrutar, assim, da mesma natureza de Deus.
Amor é doação (Jo 3:16), é abrir mão daquilo que pode corromper os nossos laços para viver em harmonia com todos, não apenas com aqueles que amamos. O filho de Deus não faz acepção de pessoas; o filho de Deus ama, mesmo que isso lhe custe a vida. Infelizmente, por causa de nossa natureza corrompida, temos dificuldade para amar aqueles que nos ferem, que são discordantes de nossas ideias. Mas ainda em situações como essas, precisamos nos lembrar de que o amor é um princípio que rege nosso viver. Princípio tem que ver com escolhas racionais que fazemos. Amor também é respeito, é saber calar quando necessário e falar com brandura quando for preciso.
A razão de existirem tantos conflitos na igreja é a falta de respeito a essas regras que deveriam reger nossos relacionamentos e também por não submetermos nossa natureza ao Espírito de Deus. Segundo Champlin, o amor possui certos elementos essenciais aos nossos relacionamentos.

1. Capacidade de esquecer-se de si mesmo no serviço do próximo.


2. O amor é uma característica proporcionada apenas pelo poder do Espírito Santo.


3. Visto que o amor é fruto do Espírito, isso significa que, a fim de obtê-lo, precisamos crescer espiritualmente.
4. Aquele que mais ama, mais se parece com Deus. Aquele que mais ama, serve mais.


5. O amor é prova de espiritualidade (1Jo 4: 7). De fato, não haverá regeneração, em hipótese alguma, sem o verdadeiro amor.


6. O amor de Deus chega à mais distante estrela, ou ao abismo mais profundo. Até onde nosso amor nos leva? (grifo do autor); (R. N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, v. 2, p. 517).


A essência de João 13: 35 é o amor: o amor de Cristo como espelho para o amor que devemos manifestar uns para com os outros. Aqueles que amam são reconhecidos como filhos de Deus, enquanto os que não manifestam amor em seus relacionamentos serão reconhecidos como seguidores do maligno.


Perguntas para discussão:


1. Por que é tão difícil manifestar amor para com nosso irmão?


2. De que maneira podemos aprender a desenvolver o amor verdadeiro?


3. Quais são os atributos do amor de Deus que mais impressionam você? Por quê?


III- Perdão: resolvendo conflitos

A Bíblia não ensina que o pecador precisa arrepender-se antes de poder aceitar o convite de Cristo: “Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei” (Mt 11:28). É a virtude que emana de Cristo, que conduz ao genuíno arrependimento. Pedro elucidou esse ponto em sua declaração aos israelitas, dizendo: “Deus, com a Sua destra, O elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão dos pecados” (At 5:31). Assim como não podemos alcançar perdão sem Cristo, também não podemos alcançar o arrependimento sem que o Espírito de Cristo nos desperte a consciência (Ellen G. White, Beneficência Social, p. 28).
Sabemos que em tudo devemos imitar a Deus. Aliás, nosso desejo como cristãos certamente é viver conforme o Seu querer. Muitas vezes, no entanto, somos traídos pelas nossas emoções. Enquanto nos relacionamos uns com outros, surgem diversas situações desagradáveis que minam nossos relacionamentos, situações que parecem exigir além do que podemos oferecer. Então começa o grande dilema.
 Em nossas igrejas, existem pessoas que foram magoadas ou que magoaram. Elas vivem anos sem procurar a reconciliação, esperando sempre que o outro seja aquele que tome a iniciativa. Dessa forma, voltamos ao início desse comentário, ao ministério de reconciliação que Deus opera em nosso favor. Se não fosse o perdão de Deus em nossa vida estaríamos perdidos. Com Cristo podemos aprender muito sobre o perdão:

1. É Ele, Cristo, a parte ofendida que busca a reconciliação.

2. Seu tratamento para consoco é sempre cortês. Ele não nos lança em rosto nossas faltas, como faz o inimigo.


3. Ele Se esquece das nossas faltas anteriores. Isso não significa que Ele não saiba quem somos e o que fizemos. Simplesmente, para Ele, depois de aceito o perdão (por nós), nossos erros se tornam sem efeito.


4. Ele sempre vê o nosso melhor, aquilo que nos atrai a Ele.


O perdão é dom divino. Somos perdoados constantemente por Deus e isso é graça que não se pode medir. Mas quando somos perdoados quando entramos em contato com a graça divina e passamos pelo verdadeiro reavivamento, somos chamados a perdoar.
Aquele que não perdoa não tem parte com Deus. Isso é doloroso, mas todos, independentemente da dor causada, precisam aprender a perdoar. Talvez o relacionamento de amizade que havia anteriormente, jamais seja restabelecido. Talvez jamais venhamos a nos esquecer do que aconteceu. Mas se perdoarmos, todas essas emoções negativas não mais nos afetarão e poderemos viver em liberdade. Isso mesmo! Quando não perdoamos, vivemos em uma prisão, construída por nós mesmos e trazemos sofrimento a nós mesmos. Por isso, precisamos perdoar. Como diz Timothy R. Jennings em seu livro Simples Demais, “perdoar os outros é um dos passos que damos, ao colaborar com Ele, para a nossa própria cura e transformação” (p. 142). Perdoar é doar a perda. Não significa que vamos mudar a pessoa, sua maneira de agir, suas ideias. Perdoar é para nossa libertação e para que não sejamos joguetes nas mãos de Satanás. É para que vivamos em paz com Deus e com os outros. Isso exige que oremos muito e que permitamos a atuação do Espírito Santo em nós.
Àqueles que perdoam é garantido o perdão.

Perguntas para discussão:


1. Como servos do Senhor, o que nos falta fazer para que a igreja entenda o que é perdão?


2. O que podemos fazer para ajudar aqueles que estão irreconciliáveis a se perdoarem mutuamente?


3. Essa questão envolve nossa salvação eterna ou perdição. Como irmãos, de que maneira devemos considerar e tratar esse tema?


CONCLUSÃO:

Compartilhe e comente os textos a seguir com a classe:

“De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus exortasse por nosso intermédio. Em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus” (2Co 5: 20).
“Assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57:15).
“Por meio de Cristo provê-se ao homem tanto a restauração como a reconciliação. O abismo produzido pelo pecado foi transposto pela cruz do Calvário. Foi pago por Jesus um resgate pleno e completo, em virtude do qual o pecador é perdoado e é mantida a justiça da lei. Todos os que creem que Cristo é o sacrifício expiador podem chegar-se a Ele e receber o perdão dos pecados; pois pelos méritos de Cristo foi restabelecida a comunicação entre Deus e o homem. Deus pode aceitar-me como filho Seu, e eu posso reclamá-Lo como meu Pai amoroso e nEle me regozijar. Temos que polarizar nossas esperanças quanto ao Céu tão-somente em Cristo, porque Ele é nosso substituto e penhor” (Ellen G. White, Mensagens Escolhidas, v. 1, p. 363).
“Este foi um dos últimos mandamentos de Cristo aos discípulos: "Que vos ameis uns aos outros; como Eu vos amei a vós" (Jo 13:34). Obedecemos a este mandamento, ou cultivamos rudes traços de caráter diferentes dos de Cristo? Se de alguma forma causarmos dores e tristezas a outros, é nosso dever confessar nossa falta e procurar reconciliação. Essa é uma preparação essencial para que possamos nos achegar pela fé a Deus para Lhe solicitar as bênçãos” (Ellen G. White, Parábolas de Jesus, p. 144).

Fonte: CPB

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