Esboço da Escola Sabatina - Lição 5 - Expiação: oferta da purificação


Esboço da Escola Sabatina - Lição 5 - Expiação: oferta da purificação



Autor: João Antônio Rodrigues Alves, Mestre em Teologia pelo UNASP, e doutor em Teologia pela Universidad Adventista del Plata. Pastor distrital em Nova Venécia (ES). Casado com a Profa. Me. Daisy Kiekow de Britto Rodrigues Alves, tem dois filhos, Emerson e Karina.

INTRODUÇÃO

“O salário do pecado é a morte” (Rm 6:23). Sendo assim, todos nós deveríamos morrer, visto que todos somos pecadores. Mas não morremos porque um Substituto assumiu nosso lugar. No sistema do santuário, esta verdade é ilustrada de forma dramática: o animal sacrifical se tornava o portador dos pecados do penitente e, em consequência, morria. Cristo, como Cordeiro de Deus (Jo 1:29), era simbolizado nos sacrifícios rituais. À luz de tais sacrifícios podemos compreender um pouco do sacrifício e ministério de Cristo. Como já visto, o santuário é o meio para solucionar uma situação antagônica: ali é o lugar da morada do Deus santo, no meio de um acampamento repleto de pecadores. Como conciliar essa realidade? Através do sistema ritual, em que os sacrifícios realizados solucionavam o problema da culpa do pecador e restabeleciam a relação entre o Deus santo e o pecador penitente. Devemos atentar para os detalhes de uma legislação que não deixou sequer uma brecha por onde o pecador pudesse escapar. Ao contrário, tudo foi pensado de maneira a resgatar o transgressor e levá-lo de volta a um relacionamento harmonioso com seu Criador.


DOMINGO
Pecado e misericórdia


O que fazer com o pecador? Para ser justo, Deus deveria exigir o “salário”, ou seja, a morte (Rm 6:23). Mas, para ser misericordioso, Deus deveria perdoá-lo. Como equilibrar esses dois elementos? Através do sacrifício ritual. Devemos observar que a legislação previa ofertas para o “pecado por ignorância”, isto é, o pecado acidental, não intencional, do sacerdote (Lv 4:3), da congregação (4:13), do príncipe (4:22) e da pessoa comum (4:27). Em comum nesses casos temos a natureza não intencional do pecado e a prescrição de que uma oferta pelo pecado deveria ser apresentada para fazer “expiação”. O resultado? O pecador era perdoado (4:20, 26, 31). No caso da oferta do “príncipe” e da “pessoa comum”, o sangue não era introduzido no lugar santo, ficando sua manipulação restrita ao altar de holocaustos no pátio do santuário. Nos outros dois casos, o sangue era introduzido no lugar santo e aspergido perante o véu e sobre o altar de incenso. Entretanto, o resultado era o mesmo: as pessoas envolvidas eram perdoadas. Era restaurada a comunhão com o Deus santo que habitava o santuário.


Para reflexão: Temos pecado por ignorância? Ou nosso pecado é de rebelião? O que podemos fazer para conseguir a vitória?


SEGUNDA-FEIRA 
Imposição de mãos


O rito da imposição de mãos sobre a cabeça da vítima sacrifical é explicitamente declarado nos casos da oferta queimada (Lv 1:4), a oferta pelo pecado do sacerdote (4:4), da congregação (4:15), do príncipe (4:24) e da pessoa comum (4:29). E o que significava? Nos textos referidos não temos uma informação precisa. Mas no Dia da Expiação, o rito envolvendo o bode para Azazel explicitamente declara que a imposição de mãos sobre a cabeça do animal transferia os pecados para ele (ver Lv 16:21). Encontramos ainda, em contextos não sacrificais, três exemplos em que alguma coisa é transferida por meio da imposição de mãos: (1) Moisés impôs as mãos sobre Josué, o qual recebeu o “espírito de sabedoria” (Dt 34:9; cf Nm 27:18); (2) a dedicação dos levitas, que substituíram os primogênitos do povo de Israel (Nm 8:18); e (3) o apedrejamento do blasfemador, em que a culpa ficava somente com o transgressor, isentando a testemunha (Lv 24:14).

A estrutura do ritual sacrifical envolvia algumas ações: oferecimento do animal sacrifical, imposição de mão (em alguns casos, as duas mãos), confissão dos pecados, morte da vítima, manipulação do sangue (nesse caso, a responsabilidade era do sacerdote), e a queima do animal, ou de sua gordura, fosse fora do arraial ou no altar (dependendo da oferta), o que era um aroma suave ao Senhor. Assim, a oferta sacrifical ia do pecador penitente para Deus.
A partir dos exemplos anteriormente mencionados, pode-se concluir que a observância das atividades rituais resultava em uma transferência dos pecados do ofertante para a vítima sacrifical e desta para o santuário, via manipulação do sangue (ou do comer da carne). O animal sacrificado carregava os pecados e a culpa do ofertante. Desse modo, substituía o ofertante pecador, dando-lhe condições de permanecer na presença do Deus santo.

Para reflexão: O sacrifício de Jesus era tipificado no ritual do santuário. Como você se sente ao entender que Ele carregou sobre Si o seu pecado? Ou seja, entender que seus pecados foram simbolicamente transferidos para o Cordeiro de Deus, o que resultou na morte do Salvador?


TERÇA-FEIRA 
Transferência de pecado


Como foi visto no estudo de segunda-feira, os pecados do ofertante eram transferidos para a vítima por meio do ritual de imposição de mãos e, mediante a manipulação do sangue pelo sacerdote, para o santuário (Pecador > vítima > santuário). Assim, em última instância, o santuário se tornava o receptáculo final dos pecados do povo. Essa situação explicaria a necessidade da realização de um ritual específico para purificar o próprio santuário (ver Lição 6).

O rito de manipulação do sangue da oferta pelo pecado estava vinculado à “classe” do pecador. No caso do “príncipe” e da “pessoa comum”, o sangue ficava restrito ao altar de holocausto – nos chifres e na base. No caso da “congregação” e do “sacerdote”, o sangue era aspergido no véu interior e sobre o altar de incenso. Em ambos os casos, o resultado era o mesmo: os pecados eram transferidos para o santuário, o qual, por assim dizer, assumia os pecados do ofertante. Visto que o santuário era a morada de Deus entre Seu povo, o próprio Deus assumia os pecados do povo, e assim perdoava todos os arrependidos. No caso do cristão, foi Jesus quem assumiu nosso lugar, e morreu como oferta sacrifical, para nos conceder o perdão.

QUARTA-FEIRA
Levando o pecado


O sangue da vítima sacrifical oferecida pelo príncipe ou pela pessoa comum não era levado para dentro do santuário, mas era aspergido nos chifres do altar de holocausto e derramado na base desse altar. Então, de que maneira era feita a transferência dos pecados para o santuário? De acordo com a legislação levítica, o sacerdote oficiante deveria comer uma porção da carne da oferta pelo pecado. Moisés claramente afirmou esse conceito: “Por que vocês não comeram a carne da oferta pelo pecado no Lugar Santo? É santíssima; foi-lhes dada para retirar a culpa da comunidade e fazer propiciação por ela perante o Senhor” (Lv 10:17). A iniquidade foi transferida do pecador para a vítima através da imposição de mão e, da vítima, para o sacerdote, mediante o comer da carne sacrifical. Como resultado, o sacerdote se tornava o portador do pecado e a expiação era realizada. E por que o sacerdote não era punido, nem sua santidade era afetada, visto que era portador do pecado? Porque Deus assim havia prescrito, e habilitado o sacerdócio como um santo instrumento no processo expiatório (ver Êx 28:38).

No caso da oferta pelo pecado do sacerdote, ou da congregação – que incluía todo o sacerdócio – a carne não era comida. Nesse caso, o sacerdote se tornaria o portador de seu próprio pecado e, em consequência, deveria morrer (Lv 22:9). Então, a carne era queimada fora do acampamento e o sangue era introduzido no lugar santo do santuário.

Para reflexão: Jesus é nossa oferta sacrifical e, ao mesmo tempo, nosso Sumo-Sacerdote, que carrega nossos pecados. Como nos sentimos ao refletir sobre estas realidades?


QUINTA-FEIRA
Perdão


No livro de Levítico somos lembrados acerca da seriedade do pecado, de como ele nos separa de Deus. O povo de Deus do passado, que contemplava – e mesmo empunhava o cutelo em alguns casos – a morte de inocentes animais, não poderia deixar de perceber sua gravidade. Os animais se tornavam substitutos, que levavam a culpa pelos pecados. Algumas vezes o pecado é por ignorância, outras é deliberado. Não obstante, o perdão é concedido ao transgressor. Sua culpa é expiada e o relacionamento com Deus é restaurado.
Com toda a riqueza de suas cerimônias, o livro de Levítico aponta para um Deus perdoador, que vai em busca do perdido, que não desiste dos pecadores. Contudo, para realizar esse ato salvador, é necessário sacrifício. Agora não mais de animais, mas do próprio Filho de Deus. Ao ser oferecido na cruz do Calvário, Ele Se tornou nosso sacrifício, o portador de nossos pecados, para que pudéssemos receber o perdão e ser restaurados em nosso relacionamento com Deus.

Naturalmente, o cristão verdadeiro, que experimenta a misericórdia e o perdão de Deus na vida, reconhece sua responsabilidade para com os semelhantes, oferecendo-lhes, em seu relacionamento diário, a mesma graça e misericórdia perdoadora que receberam de Deus.

Para reflexão: Tendo sido perdoado por um Deus amoroso, como temos tratado nosso irmão? Nossa atitude é misericordiosa, perdoadora, ou vingadora? O que fazer para que nossa atitude reflita o caráter de nosso Deus?


Conclusão

Já são passados dois mil anos desde o sacrifício expiatório de Jesus. Não temos necessidade de oferecer sacrifícios pelos nossos pecados, seja no templo ou em outro lugar. Simplesmente os confessamos a Deus, pedimos perdão mediante o sangue de Cristo e seguimos adiante. Porém, seguimos para onde? Talvez no mesmo caminho de pecado. E nada muda em nossa vida. Talvez, se tivéssemos que oferecer um sacrifício – e isso tivesse um custo financeiro – cada vez que cometêssemos pecado, pensaríamos duas vezes. Em uma sociedade que valoriza tanto o material, esse pensamento poderia funcionar como freio. Mas, o cristão nascido de novo pensa no custo, no preço pago pelo perdão – a morte de Cristo, incluindo toda a dor, sofrimento e angústia que Ele experimentou para nos salvar. Isso é o que deve nos deter em nosso caminho de pecado. Devemos viver como pecadores perdoados, salvos por Deus e para Deus, honrando o nome de nosso Salvador.


Para reflexão: Examinando sua vida hoje, você acha que o sacrifício de Cristo foi válido ou foi um completo desperdício?


Fonte:  CPB

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