Esboço da Escola Sabatina - Lição 8 - Cristo, nosso Sacerdote


Esboço da Escola Sabatina - Lição 8 - Cristo, nosso Sacerdote



Autor: João Antônio Rodrigues Alves, Mestre em Teologia pelo UNASP, e doutor em Teologia pela Universidad Adventista del Plata. Pastor distrital em Nova Venécia (ES). Casado com a Profa. Me. Daisy Kiekow de Britto Rodrigues Alves, tem dois filhos, Emerson e Karina.

INTRODUÇÃO

Por que Jesus ascendeu ao Céu? Por que não permaneceu entre nós após a ressurreição? Não teria sido mais útil a Seus seguidores se Ele tivesse continuado Seu ministério aqui mesmo na Terra? Ele responde a essas perguntas de algumas maneiras: “vou preparar-vos lugar” (Jo 14); “se Eu não for o Consolador não virá” (Jo 16:7); etc. Mas a tipologia do santuário aponta ainda para outro aspecto da obra de Jesus que nos ajuda a entender Sua ascensão: Ele é o Sumo Sacerdote no santuário celestial (Hb 8:1, 2), onde comparece “por nós, diante de Deus” (Hb 9:24), intercede por nós (Hb 7:25), socorre-nos em nossas tentações (Hb 2:17, 18), compadece-Se de nossas fraquezas (Hb 4:15), entre outras atividades, as quais são essenciais para a vida do cristão. Cristo não está descansando. Está ativamente empenhado em ministrar a Seus filhos neste mundo. É nosso privilégio, portanto, dirigir-nos em oração a Cristo, em Seu ministério celestial, para receber  os méritos de Sua intercessão e o poder necessário   para vencer a batalha diária contra o mal.


DOMINGO - Nosso sumo Sacerdote

O tema de Cristo como sumo Sacerdote é central na carta aos Hebreus.  O  autor o desenvolve aos poucos, preparando os leitores para o clímax pretendido. É evidente que o autor não tinha dúvidas acerca das qualificações de Cristo para o sacerdócio (cf. Hb 2:17; 4:15; 5:1), mas alguém poderia argumentar que Ele não tinha a qualificação essencial, ou seja, ser descendente de Levi para ser elegível ao sacerdócio aarônico. Então, que espécie de sumo Sacerdote era Ele? É neste contexto que o autor introduz sua discussão de uma nova ordem sacerdotal, identificando-a com Melquisedeque, à qual Cristo pertencia. Melquisedeque é uma figura histórica, que aparece uma única vez no relato bíblico, num episódio envolvendo Abraão, que foi assistido com alimento e abençoado por este homem identificado como “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14:18, 19). Depois disso, ele desaparece, não sendo mencionado na história e tampouco na literatura de Israel, até reaparecer no Salmo 110:4: “O Senhor jurou e não Se arrependerá: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”

Alguns aspectos podem ser destacados evidenciando  a superioridade do sacerdócio da ordem de Melquisedeque sobre a de Arão. Do  Salmo 110 se depreende que a ordem de Melquisedeque é resultado de uma nomeação divina. De acordo com a lei mosaica, o sumo sacerdote devia traçar sua linha genealógica ou descendência, retroativamente, por parte de seu pai, até Arão. Mas Melquisedeque era sacerdote pela indicação divina, e nada mais. Além disso, o juramento divino é de que ele será “sacerdote para sempre”. E por que “para sempre”? O argumento se fundamenta no silêncio das Escrituras concernente aos antecessores ou  sucessores de Melquisedeque. Visto que nada era conhecido nesse sentido, o autor conclui que seu sacerdócio era permanente. Assim, temos um sacerdócio indicado por Deus e garantido por um juramento, o que enfatiza o caráter imutável do propósito divino. Segundo a carta aos Hebreus, esse propósito divino se cumpre em Jesus, sacerdote segundo uma nova ordem eterna e estabelecida por Deus.

SEGUNDA-FEIRA - Advogado e Intercessor

Em Romanos 8:31-34 é como se estivéssemos no banco dos réus de algum tribunal, sofrendo toda a angústia que tal experiência enseja, ouvindo perguntas que provocariam o mais profundo temor e despertariam dúvidas quanto à nossa libertação. Os acusadores são convocados (v. 33) e a sentença é proferida (v. 34). Como sobreviver à prova do tribunal? Que poderíamos apresentar em nossa defesa? Na verdade, a compreensão da mensagem contida nesses versos de Romanos resulta em paz e segurança para o cristão, ainda que a imagem de um tribunal seja o pano de fundo para a argumentação do apóstolo.

Quem se atreveria a acusar os filhos de Deus? De fato, Satanás é descrito na Bíblia como o “acusador dos irmãos” (Ap 12:10; cf. Jó 1 e 2). Mas o apóstolo Paulo argumenta de forma sublime e poética, chamando nossa atenção para o grandioso amor de Deus, e Sua ação para nos salvar a todos. Na perspectiva da cruz, o cristão pode viver seguro da vitória final. Por quê? A resposta se encontra no texto: (1) “Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (v. 31); (2) se Deus entregou Seu próprio Filho por nós, podemos estar seguros de que Ele nos dará tudo de que necessitamos (v. 32) – a cruz é a certeza contra qualquer dúvida; (3) é o próprio Deus quem nos justifica, portanto, as acusações contra nós não se sustentam no tribunal (v. 33); (4) Cristo ressuscitou e está à direita de Deus intercedendo por nós (v. 34), e Seu ministério intercessor nos livra da condenação (cf. Is 50:8); (5) sendo que Cristo ressuscitou, nada pode nos separar de Seu amor (v. 35). Temos, portanto, todas as garantias para a vitória nas batalhas espirituais que enfrentamos em nossa jornada. E tudo isso é graça derramada em nós, realização divina para nossa salvação.
E assim descobrimos que não somos mais um réu atemorizado. Em vez disso, vemos que o próprio juiz é nosso Abba, estamos envolvidos em Seu abraço, e o tribunal é transformado em um lar amoroso onde estamos, finalmente, a salvo de qualquer coisa que poderia nos ameaçar. O que mais desejaríamos? Que transformação! Do tribunal para o lar. No final, a analogia forense é respondida pela analogia familiar.

Para reflexão: Você está seguro de que Deus está do seu lado? Invertendo a ordem da pergunta, você está do lado de Deus? Tem experimentado  a ação transformadora do amor de Deus em sua vida? 

TERÇA-FEIRA - Mediador


O termo “mediador” teve sua origem no antigo mundo comercial, mas seu uso se ampliou e foi aplicado em outras esferas. O mediador agia “como árbitro entre duas partes, para remover uma discórdia”. Por outro lado, a afirmação de que Jesus é nosso Mediador não implica em que o Pai tenha assumido uma posição negativa em relação aos seres humanos, exigindo assim a intermediação de Cristo. Ao contrário, o testemunho bíblico é claro em afirmar que “Deus nos reconciliou consigo mesmo” ou que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2Co 5:18, 19). Deus é retratado como ativamente empenhado na busca para restaurar o relacionamento com Seus filhos.

O conceito de um mediador entre Deus e a humanidade era comum no helenismo e no judaísmo. Também era encontrado no gnosticismo e no mitraísmo. Filo usou o termo para descrever Moisés, os anjos, e a palavra de Deus. O judaísmo falava de anjos como mediadores. Em contraste com tudo isto, Paulo afirma que “há um só Mediador entre Deus e os homens”. Tanto nos dias do apóstolo, como em nossos dias, não há necessidade de outros intermediários, sejam eles anjos, ou mesmo alguém como Moisés. Se temos a Cristo, a suposta existência de quaisquer outros mediadores perde toda a razão de ser.
O que qualifica Cristo para ser esse único Mediador? Porque Ele é o Deus-homem. Como Deus, Ele segura a mão da Divindade e, como Homem, Ele segura a mão de toda a humanidade em geral, e a minha em particular. Por ter vivido como verdadeiro Homem, Ele entende as lutas, as angústias, os dilemas, as tristezas de todos nós, e segura nossa mão, e nos fortalece, anima e conduz em nossas lutas pessoais. “A humanidade do mediador é especificada para enfatizar Sua identidade com aqueles a quem Ele representa como mediador”.
Nos tempos do Antigo Testamento, os israelitas iam ao santuário/templo, onde havia muitos sacerdotes, que eram os mediadores entre os pecadores e Deus.  Entretanto, Paulo enfatizou outra realidade: temos um único Mediador, que substitui todos os outros e os torna desnecessários e inadequados. Na carta aos Hebreus argumenta-se que Jesus é o sumo Sacerdote e, mais uma vez, torna claro que não há mais necessidade de outros sacerdotes humanos para nos representar diante de Deus. Necessitamos de um mediador, um sacerdote, e nós O temos, o grande sumo Sacerdote. O caminho para o Céu foi aberto por Cristo. Compete ao pecador aproveitar a oportunidade.
E Ele conquistou Sua posição de Mediador e sumo Sacerdote a um preço incalculável. Paulo descreve a morte de Cristo como um “resgate” (Gr. antilytron – 1Tm 2:6). Este conceito descrevia a libertação de cativos de guerra ou da servidão dos escravos. O valor pago para tal libertação era conhecido como “resgate”. Portanto, Paulo afirma que a morte de Jesus é o preço pago para a libertação da humanidade do cativeiro do pecado. Ao mesmo tempo, aponta para a natureza substitutiva da morte de Cristo. Destaca ainda que Cristo Se ofereceu de forma voluntária: “a Si mesmo Se deu” (cf. Gl 1:4; 2:20; Tt 2:14).


Para reflexão: Temos nos servido do serviço de nosso Mediador celestial? Se não, por quê?


QUARTA-FEIRA - O grande Sumo Sacerdote

Na carta aos Hebreus, encontramos advertências e exortações, e a base racional para elas. Um dos argumentos do autor para animar os cristãos daquele tempo fundamenta-se na apresentação de Jesus como sumo Sacerdote. O que há nEle para inspirar nosso compromisso? Vários atributos, que suprem todas as nossas necessidades espirituais.
Jesus é o “grande sumo Sacerdote”, o que qualifica Sua “excelência”. Grande é Seu caráter e grande é Sua obra. Além disso, Ele é transcendente, visto que “penetrou os Céus” (Hb 4:14), à presença de Deus (9:24). Há um claro contraste com o sacerdote levítico, cuja entrada no santuário era limitada. Ao mesmo tempo, é-nos assegurada a participação no acesso conquistado por Cristo. Assim está escrito: “Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus...” (Hb 10:19). E é na presença de Deus que Ele vive sempre para interceder por nós (7:25). Mas o sumo Sacerdote é “Jesus” (4:14), assim identificando Sua natureza humana. É o Jesus histórico, Aquele mesmo que armou Sua tenda e habitou entre nós (Jo 1:14). E é também o “Filho de Deus”, o que destaca Sua natureza divina. Portanto, ao combinar em Sua pessoa a humanidade e a divindade, Ele está perfeitamente qualificado para ser nosso grande sumo Sacerdote. É o sumo Sacerdote que Se “compadece” (Gr. sympathesai - Hb 4:15) de nossas fraquezas. Essa compaixão não deve ser entendida no sentido psicológico, de simpatizar com alguém, mas em um sentido existencial: o grande sumo Sacerdote sofre juntamente com a fraqueza daquele que é provado e oferece socorro ativo nos momentos de necessidade. 
Com base em tais argumentos, o autor encoraja os cristãos a conservar firme (Gr. kratein) a própria confissão. E o que é essa confissão? A construção da frase permite concluir que “confissão” se refere a uma formulação de fé específica que foi aceita e reconhecida pelos cristãos hebreus, incluindo aí a aceitação de Jesus como Filho de Deus (4:14). Considerando que Jesus é fiel em Seu ministério, o autor desafia a comunidade cristã a também permanecer fiel a Jesus.


Para reflexão: Estou sendo fiel a Cristo, como Ele é fiel a mim?


QUINTA-FEIRA - O único sacrifício

O sacrifício de uma quantidade impressionante de animais no ritual do santuário, todos os dias do ano, era uma clara demonstração da malignidade do pecado e de suas terríveis consequências. Entretanto, por maior que fosse o impacto na mente do adorador de outrora, não era senão um pálido reflexo da realidade para a qual apontava, isto é, a oferta de Jesus como sacrifício pelo pecado do mundo. Refletir sobre o sacrifício de Cristo não é um mero exercício acadêmico, mas sim uma parte vital de nossa experiência cristã, necessária para nosso crescimento espiritual e essencial para nos proteger da apostasia.
A superioridade do sacrifício de Jesus é ressaltada em Hebreus pela quantidade de referências à sua categoria única, sem necessidade de repetição. Para isso o autor usa a expressão “uma vez” ou “uma vez por todas” (7:27; 9:26, 28; 10:10). Um único sacrifício em substituição aos milhares que aconteciam durante o ano, e que se repetiam nos anos seguintes e assim indefinidamente. Essa ênfase não pode ser esquecida. Ademais, condena qualquer tentativa de repetir este sacrifício com o objetivo de obter o perdão dos pecados. E condena a atitude daquele que pensa que sacrifícios pessoais sejam necessários para ser aceito pelo Pai. Além disso, o sacrifício de Cristo é para o benefício de todas as pessoas que O aceitam, sem distinção de etnia, cor, posição social. É totalmente inclusivo. É totalmente eficaz. E totalmente gratuito. É dom de Deus.
Assim, o apóstolo apresenta a obra maravilhosa da redenção efetuada por Jesus Cristo, o Deus que Se fez homem e Se ofereceu em nosso favor como sacrifício único, perfeito e completo pelo pecado. Como resultado, somos purificados em nossa consciência, assistidos em nossas necessidades, temos acesso ao trono da graça e misericórdia e é assegurada nossa salvação.


Para reflexão: O sacrifício único de Jesus já efetuou sua obra de purificar nossa consciência? Temos aproveitado o privilégio conquistado por Cristo em nosso favor, e assim nos aproximarmos do trono da graça em todo o tempo?


Conclusão
Jesus ascendeu ao Céu para ser nosso misericordioso sumo Sacerdote no santuário celestial, onde intercede por nós, estende sobre nós Sua misericórdia, garante nosso acesso ao Pai, é nosso Mediador, apresentando o sacrifício de Si mesmo como oferta de purificação em nosso favor, purificando nossa consciência, aperfeiçoando-nos em santidade e preparando-nos para a cidadania celestial.


Brunt, John C. The Abundand Life Amplifier – Romans (Boise, Idaho: Pacific Press, 1996), p. 167.
Mounce, W. D. Word Biblical Commentary, v. 46: Pastoral Epistles (Dallas: Word, Incorporated, 2002), p. 88.
Knight, G. W. The Pastoral Epistles: A commentary on the Greek text  (Grand Rapids, MI: Carlisle, England: W.B. Eerdmans; Paternoster Press, 1992), p. 121.
Lane, W. L. v. 47AWord Biblical Commentary: Hebrews 1-8 (Dallas: Word, Incorporated, 2002), p. 107.

Fonte: CPB

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